Morreu queimado, mas vai reerguer-se o primeiro medronhal certificado do mundo

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As chamas consumiram integralmente o medronhal de São Pedro de Alva.

A TSF esteve há quatro meses no primeiro medronhal certificado do mundo, em São Pedro de Alva, no concelho de Penacova. Voltámos lá agora pelo pior motivo. Ardeu, praticamente na totalidade.


Algumas parcelas estavam já a dar fruto. O produtor, que é também biólogo e professor na Universidade de Aveiro, estava lá no domingo precisamente a colhê-los quando o fogo se aproximou e devorou todos os hectares de plantação de medronho.

Carlos Fonseca, que é um dos doze elementos da Comissão Técnica do Incêndio de Pedrógão, fala de uma situação anormal, garante que vai reerguer o medronhal, e apela a que se invista numa floresta autóctone e longe de estar baseada na monocultura do eucalipto.

É junto à casa de turismo rural que conseguiu salvar na Praia Fluvial do Vimieiro, que Carlos Fonseca olha para uma das parcelas de medronhal queimado.


Tudo quanto era medronhal acabou em cinzas ou queimado pelo calor do incêndio. “Estávamos a salvar as casas e a ver os medronheiros a arder. Havia alguns já com medronhos. Tinha vindo cá fazer colheita no dia anterior”, afirma.

E até mesmo aquilo que poderia ser uma vantagem, ou seja, várias parcelas de medronhal espalhadas num raio de 10km, se revelou impotente perante a força do fogo. “Eu até dizia que a única vantagem desta dispersão de parcelas era de que dificilmente algum dia iriam arder todas, e isso veio-se a verificar e a minha teoria cai por terra, porque este incêndio veio demonstrar que é possível haver catástrofes com esta escala”.

Carlos Fonseca é biólogo, investigador e professor na Universidade de Aveiro. Estava consciente da importância da prevenção, por isso os medronhais eram terrenos limpos e corta-fogo. Promete que não vai baixar os braços, apesar de milhares de euros perdidos e outros tantos necessários agora em investimento. E, tem já algumas ideias em mente.

Nas plantações novas é preciso esperar dois meses pela sua evolução e perceber se vai ser preciso plantar de novo.

No imediato, depois de perder tudo, o biólogo pensa voltar a investir e fazer renascer o primeiro medronhal certificado do mundo. Contudo, há momentos mais negros. Ardeu tudo, garante, porque à volta não há quem veja o ordenamento florestal da mesma maneira. “Uma visão diferente da gestão do território, daí termos apostado nesta espécie e termos apostado em parcela, que funciona como mosaicos e que poderia ser replicado noutras zonas do país. Mas, mesmo assim não funcionou”, adverte.

Não funcionou para travar um incêndio que foi fora do normal. “Numa situação normal, num incêndio com padrões de normalidade, se é que isso existe, eu diria que estas parcelas funcionariam”.

Carlos Fonseca tinha áreas de medronhal desde meio hectare a seis hectares, explica que não conseguiram travar o incêndio e acabaram dizimadas porque a intensidade do fogo era enorme, e porque à volta não existe a mesma preocupação que tem com a diversidade florestal.

Em plantações perderam-se cerca de cem mil euros, mas os prejuízos são maiores quando se soma a limpeza dos terrenos, a movimentação dos mesmos, e até a manutenção das plantas. As contas não estão feitas, diz Carlos Fonseca, mas chegará perto dos 200 mil euros.

Entrevista da TSF com o nosso fundador, Carlos Fonseca.